xxxvii

“You’re not alone in anything / You’re not alone in trying to be.”


Suo.
Sou.


Photo by Paula Schmidt on Pexels.com

Lá do alto, uma propagação divina chega até mim.
Quente. Doce.

Lá do alto, uma forma de crença.

Na minha pele – o que me reveste – o quente é um sentido, uma razão.
Amar é pouco mais do que isto – um prazer crente.

Estou febril – é o divino em mim, o 0.000000013% do Uno, do Absoluto.

Mas é absurdo; inconcebível; irreal.
O prazer desvanece-se. O organismo cansa-se da fé e reage – qual verme – com repulsa.

O suor forma-se. Os sinais eferentes do hipotálamo viajam através do tegmento da ponte e das regiões medulares da rafe até à coluna de células intermediolateral da medula espinhal.
Na medula, os neurónios emergem do corno ventral, passam pelo ramo comunicante brano e fazem sinapses nos gânglios simpáticos.
Depois, as fibras C pós-ganglionares não mielinizadas passam através do ramo comunicante cinza, combinam-s com os nervos periférios e viajam para as glândulas sudoríparas.
– Chiu. Não quero saber.

O suor forma-se – a minha doutrina em licor.
E, à superfície, na pele que me reveste, o calor concentra-se nas pequenas gotículas, ascendendo numa forma de energia que leva o quente e leva o suor – leva a crença e leva a doutrina.

Eu não ascendo.
Os meus pés abraçam o solo como uma mãe abraça um filho.

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O organo é perfeito.

Em cada função, rejeita o opaco, o obtuso; espelha a força do erro, do ajuste sistémico, da transmissão dos genes.

As falhas, os defeitos, as dissonâncias, as incoerências: não são paradoxos da perfeição.
A nossa noção de perfeição é que é paradoxal.

Photo by Plato Terentev on Pexels.com

No singelo momento em que existe, o organo é pleno – o culminar do que o antecede.
No término, torna-se parte do seguinte.
E assim se sucedem, nos sucedemos.


Por vezes, na cegueira da noite, falho um passo ou sinto um degrau que não existe.
E, no momento em que a minha consciência codifica a realidade da queda iminente – e na ausência de qualquer forma de humilhação – ascendo ao primitivo e ruge em mim o desejo primordial da vida; o que veio, por sucessões, do prelúdio da minha linhagem.

Eu sou sangue do meu sangue.
O abstracto do que me tornou possível: os sonhos e crenças, a atracção e o sexo, o bárbaro e cruel, a violência e pecado, a raiva e o perdão.

O que verto, quando me corto, são as vidas de mil homens.

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