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Confinamento 2.0
O Confinamento total da Cultura, e parcial (ou inexistente) de tudo o resto.

Eu compreendo.
Está muito complicado.

  • +10 000 novos casos/dia;
  • +100 mortos/dia;
  • Centenas de novos internamentos/dia.

É cruel. É desgastante. É crítico agir.
Mas há decisões incompreensíveis.

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Vamos aos factos:

  • Estávamos na semana de Março, quando tudo fechou: restauração, cultura, desporto, educação;
  • Para a cultura, entenda-se, este confinamento durou até final de Maio – ou seja, 2 meses e meio de paralisação total;
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  • Ao reabrirem, foi estabelecido um oceano de regras e normas a cumprir (se quiserem divertir-se, vejam-nas aqui) as quais – o espanto! – foram acatadas pelo sector com tal seriedade que, se não me escapa alguma coisa, não me lembro de ter havido uma única notícia sobre falhas de segurança ou casos com origem em teatros, cinemas, museus, salas de espectáculos ou sessões ao ar livre;
  • Com o oscilar dos casos e das mortes, dos internamentos e do R(t), a cultura passou o ano de 2020 entre fechos, aberturas, refechos, reaberturas, reestruturações, desfasamento de horários e precariedade.
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2021.
Certamente, como nos foi dito inúmeras vezes, o país não aguenta um novo confinamento geral.

E, no entanto, aqui estamos…
A grande diferença é que, desta vez, as escolas mantêm-se abertas.

Não, espera aí. Não são só as escolas. Há 52 excepções.

Sem brincadeiras, a meio da lista, pensei que me tinha engano e estava a ler sobre os sectores que têm de fechar. Mas não.
Os “Estabelecimentos de venda de material e equipamento de rega” podem ficar abertos. Já toda a cultura não.

Repare-se onde não há excepções.

E não foi por falta de comunicação, certamente:

  • A BAD (Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação) apelou ao governo que mantivesse as bibliotecas públicas em funcionamento, dado que o acesso aos livros poderiam ajudar a “menorizar os efeitos nefastos da pandemia“;
  • Directores de teatros de toda a Europa, numa carta aberta ao Parlamento Europeu, apelaram a que não se fechassem os teatros, assegurando a capacidade de manter as salas seguras;

Foram ignorados, na sua generalidade.

Como se isso não bastasse, estávamos em Novembro de 2020, e já a Acção Cooperativista denunciava o incumprimento no pagamento dos espectáculos cancelados – de realçar que, em alguns destes casos, estamos a falar de instituições que são financiadas por dinheiros públicos.

Pior ainda, o decreto-lei que obrigava ao pagamento parcial dos espectáculos cancelados por força da pandemia, terminou a vigência em Setembro, deixando um vazio legal numa altura em que se vão multiplicar os cancelamentos.

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Fique claro: não estou a apelar a que se fechem as 52 excepções.
Estou a apelar que se considere a falta de equidade destas medidas.

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Estamos a falar de, mais do que a desvalorização de um sector, da desvalorização de um enorme conjunto de pessoas que vivem da cultura, e que, após um ano de precariedade, avizinha-se um 2021 ainda mais precário.

Este desrespeito é, para mim, ainda mais pronunciado nas palavras do primeiro-ministro, ontem, ao dizer que “as diferentes confissões já se organizaram” para que as celebrações religiosas “possam ocorrer de forma segura e sem perturbações”.

E o teatro não se organizou?
Os cinemas?
Os museus e as livrarias?

O mesmo governo que permitiu um evento como o da fórmula 1 em Portimão com regras sanitárias desadequadas, é o mesmo que obriga os teatros e cinemas com marcação e distância entre lugares a fechar?

O mesmo governo que permite a continuação da 1ª liga de futebol (apesar do contínuo surgimento de casos nas equipas) é o mesmo que obriga as livrarias a vender ao postigo, apesar das já fortes restrições ao número de pessoas que podiam estar dentro dos estabelecimentos?

Mas é justificável.
Afinal, como disse um membro do governo ao Público, seria contraditório “dizer às pessoas que não devem sair de casa, mas que depois podiam ir ao cinema e ao teatro.
(Relembro: há 52 excepções que inclui – certamente com o intuito de as pessoas permanecerem nos seus domícilios e promover o distanciamento social – as “atividades e estabelecimentos enunciados nos números anteriores, ainda que integrados em centros comerciais.“)


Vá, até 2027 quando uma das nossas cidades for Capital Europeia da Cultura.

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