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Visões estóicas (I)


A existência é cíclica. Tudo o que é, já foi antes e voltará a ser.
É inevitável.
A nós, é-nos oferecido um momento – breve. Tudo o que o envolve – o que foi e o que será – é indiferente.

A história reflecte esta tendência, clarificando as repetições: a guerra que desagua em paz, a paz que culmina em guerra, os ditadores que emergem e os heróis que nos salvam.

Mas não só no grande espectro.
Até a visão do ser humano, enquanto indivíduo, se segregado de tudo o resto, é cíclica.
Todos os homens vivem a mesma vida; o mesmo momento em momentos diferentes. Movem-nos razões semelhantes, impostas por desejos e medos irreflectidos, que exigem saciação ou silêncio.

Repara:
O que difere o que apanha o lixo, do que faz o pão?
Não servem ambos um propósito? Não trabalham ambos para a comunidade?
O que difere o que faz o pão, do que ensina as crianças?
Não moldam ambos as bases de algo maior?
O que difere o que ensina, do polícia?
Não pretendem ambos manter a ordem e a segurança?
O que difere o polícia, do governante?
Não vivem ambos para servir?

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Photo by Alex Andrews on Pexels.com

Não existem diferenças que, reflectidas, mantenham o sentido.
Não há ódio que, investigado, não seja semelhante, compreendido.
Porque nenhum humano bom está isente de actuar mal, e nenhum humano mau impossibilitado de agir bem.

Se somos átomos, em tempo nenhum dispersaremos.
Se somos todos apenas um, em tempo nenhum voltaremos a pertencer ao universo que nos originou.
De que me serve responder ao ódio do meu semelhante com o mesmo sentimento?
Às diferenças, sem reflectir?

Há apenas um breve momento em que existimos. E, nesse breve momento, podemos escolher:
– Ou vivemos na capacidade que nos foi oferecida, reconhecendo as falácias dos nossos sentidos, das nossas interpretações e recorrendo à razão com professora;
– Ou não. E continuaremos a gritar todas as manhãs com os carros dos outros que gritam também; a berrar com o sinal que mudou de cor só para mim; a condenar o que difere de mim, como se eu pudesse ser melhor.

Há um momento, e a decisão de como viver esse momento.
Nada mais.

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