lxv

brevidades (I)


I

quente.
a pele que arde, tão lentamente,
como sede que se mantém.
prevalece.

quero ver.
os pequenos textos em que falas
do que não tens.
dá-me tempo para os ler.

não te envergonhes.
nesses momentos,
breves,
vive tanto mais.


II

não quero saber da origem do mundo, é demasiada informação.
prefiro que me contes do tempo que perdes.
aqueles minutos que deixas fugir.
os jogos sádicos em que te adentras quando ninguém vê.

entorpeça-me.

mete-me a trela.
leva-me a passear.

vamos ver o mundo.
aqueles sítios que nunca vi.

ninguém faz o que fica para amanhã.


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III

enojas-me
quando és fraco.
é um reflexo cultural.

lamentas, lentamente.
mas a melodia mantém-se.
prevalece.

são os mesmos versos,
nos mesmos momentos.


IV

dizes, benigno, que contas até dez.
mãos nos olhos, “esconde-te!”.
conto comigo, baixinho,
não quero que me ouças.

um dois três

eu sei que não te faz sentido,
mas liga-me a ti.
liga-te a mim.
um vínculo.

quatro cinco seis

tudo o que vier depois,
em diante daqui,
ficará sempre
aquém.

sete oito nove

já aí vens.
meigo.
doce.
gentil amor.



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