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Queremos as frases bonitas, nunca os textos longos.


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Não deixará de ser amargo, rude, cruel, e talvez das maiores proezas humanas, se um dia concluirmos que o que nos rodeia – o mundo, no sentido mais expandido concebível – é simplesmente impossível de compreender, para os nossos infelizes intelectos.

Falo em proeza, pois todos conhecemos a dificuldade de libertar-nos de algo que nos atormenta e se, normalmente, isto se aplica às pequenas coisas da vida, imagine-se como será, quando tivermos de o fazer em relação ao universo.

Como um macaco com um computador – o homem com o mundo.

Talvez a maior diferença seja a consciência em si, já que nenhum macaco lamenta não saber o que é um computador.
Simplesmente, não o sabe.
Nós – e até que ponto não pode isto ser um castigo divino? – se chegado tal momento, seremos, enquanto espécie, conscientes das nossas limitações de compreensão, o que só torna o conhecimento da existência de algo mais inútil – pelo menos, neste caso, em que não é uma necessidade básica. Afinal, questionar a natureza da existência não é fundamental para a existência em si.

Algo é decididamente provável:
Daqui a um milénio, estarão a falar de nós, dos nossos feitos e conquistas, tal como nós nos referimos às dos anos 1000 – “Eles acreditavam mesmo nisto?”

O que, de uma forma perversa, nos indica que tudo aquilo que nós fazemos no nosso tempo, é apenas e somente um degrau – ou seja, não será nem parte do conhecimento, da verdade, mas só uma opção refutada mais tarde, como tantas outras, que clareiam o caminho.

A dualidade que daí nasce é agridoce – o que pensamos é errado, mas indispensável para chegarmos ao correcto.
O que seria de nós se tantos não tivessem chegado a conclusões erradas?

É certamente uma lição de humildade.


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É tão fácil esquecer o quão minúsculos somos.
Talvez seja essa a verdadeira – senão única – contrapartida de estar no topo da cadeia alimentar:

  • Ninguém nos mete a mão na consciência.

E sem mão na consciência, dizemos o que queremos, conjecturamos o que bem nos apetece, alimentamos as fantasias que nos entretêm.
Somos crianças sem supervisão; rindo-nos da humilhação pelo puro gozo de não sermos nós a ser humilhados, chorando com os filmes tristes num ciclo vicioso em que rejubilamos as banalidades mútuas porque, paradoxalmente, queremos fugir à nossa própria banalidade.

Queremos as frases bonitas, nunca os textos longos.
O rato foge, o gato caça, e o homem cria programas televisivos sobre o assunto.


Todos acabámos por pagar pelos nossos crimes. Um dia, a humanidade pagará pelos seus.

Não porque a justiça exista como lei natural, mas porque a natureza nos ensina que extinção origina extinção, que a pobreza do solo destina à pobreza dos seres que nele caminham e que a supremacia sem competição leva à corrupção da própria ordem da vida.

E nós, nem pela ignorância nos absolvemos – somos culpados cientes de todas.


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