lxxii

brevidades (III)


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I

não te diverte
quando ouves as palavras
as que já ouviste ontem
de madrugada
e ainda hoje não se falam,
não se ouvem,
não se calam.

o mundo é uma doença.
e quando pensas que sol brilha,
que as portas se abrem,
que as bocas se tocam
e os corpos se amam;
é a doença que se esquece,
não te perdoa, só te larga.


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II

perduro.
sou a terra de onde cresces,
e vê-te surgir, nesses jeitos tensos;
perduro por um sóbrio
segundo,
sou quem te vê,
queimo o chão para te salvar,
por um sóbrio
segundo,
em que tremo,
em que vacilo tremendo;
perduro, ainda,
perduro até ao fim.



III

já não estão cá, já cá não voltam.
sigo caminho
perco-me sozinho
é tão bom resigno
quando escrevo sem me ouvir
quando me perco em mim
e as palavras nascem vazias
ou transbordantes
ou assim-assim.
os olhos que focam
nas tonalidades negras
no fundo branco
não lêem
não sabem que as letras
se juntam em versos
se perdem em momentos
que
já não estão cá, já cá não voltam.


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IV

fins e recomeços.
já ouvi falar de homens
que não se voltaram a erguer.

quando te contamina
coração em carne viva
só aí, só então
começas a viver.

é o fim do caminho?
nunca é o fim.
nunca é só um caminho.


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