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Álbuns dos anos 60.


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Portanto:
Por uma questão de armazenamento mental, tenho andado a ouvir álbuns por década – normalmente, entre 10 a 20 (em ciclo, ou seja, quando chego ao presente, volto para trás) – e pensei que, já agora, podia aproveitar e deixar aqui registados 3-4 dos que me vão interessando.

BIG DISCLAIMER: as opiniões que se seguem não têm (asseguro-vos) nada de técnico, é meramente um registo do que a minha mente interpretou – certo ou errado, isso é com ela (lembremo-nos que a mente e o corpo não são necessariamente o mesmo).



The Beach Boys – Pet Sounds

Os anos 60 germinaram das sementes dos anos 50. Nasce a sede de experimentar e diversificar – isso está patente no Pet Sounds.

As melodias são bonitas, doces de ouvir, mas rapidamente se percebe que há muito mais a acontecer por trás; há uma busca por novas sonoridades, um adicionar de texturas que, pela originalidade, trouxeram e profetizaram novos pulmões na música popular.

Não é por acaso que até no género o álbum é difícil de definir: pop progressivo, chamber pop, art rock. Hoje, os musicólogos descrevem-no como um álbum conceptual antes dos álbuns conceptuais.

Brian Wilson, que, de início, chegou a funcionar como compositor, produtor, co-vocalista, baixista e teclista da banda, descreve-o como:

“If you take the Pet Sounds album as a collection of art pieces, each designed to stand alone, yet which belong together, you’ll see what I was aiming at. … It wasn’t really a song concept album, or lyrically a concept album; it was really a production concept album.”

Um álbum para várias audições, e descobrindo-se sempre mais com cada uma.

FAVORITAS: God Only Knows


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The Jimi Hendrix Experience – Electric Ladyland

Electric Ladyland foi o último álbum lançado com o Jimi Hendrix ainda vivo.
Para lá da guitarra e da voz, Hendrix teve ainda de tocar baixo – por o seu baixista ter compromissos com a sua própria banda – e de participar na produção do álbum – depois do produtor original desistir, devido ao perfeccionismo de Hendrix, e à confusão festiva que se criava no estúdio, com dezenas de pessoas a assistir às gravações.

Eu aprecio um álbum que me leve com ele, e o Electric Ladyland é indiscutivelmente uma viagem sonoro – mas atingem-se novas altitudes com a Voodoo Chile.

São 15 minutos de uma forma própria de energia que, simultaneamente – e talvez por se ouvirem outras pessoas no estúdio – soa caseiro e virtuoso, como se o Hendrix fosse só um vizinho qualquer a tocar guitarra mas, em vez de soltar as cordas a meio de um Ré, é um dos melhores do sempre.

A guitarra não é parte da música: é a música, o resto apenas responde às palavras dela.

FAVORITAS: Voodoo Chile; 1983… (A Merman I Should Turn to Be)


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Antônio Carlos Jobim – Wave

De Rock Psicadélico para Bossa Nova – a transição óbvia.

Depois dos passeios pela diversidade dos anos 60, ter aterrado no Wave do Antônio Carlos Jobim foi especialmente reconfortante.

Praticamente não tem palavras, só na doce Lamento, com letra do Vinicius de Moraes:

Não posso esquecer
O teu olhar
Longe dos olhos meus
Ai, o meu viver
É de esperar
Pra te dizer adeus

Mulher amada
Destino, destino meu
É madrugada
Sereno dos meus olhos já correu

A verdade, no entanto, é que não precisa de mais: as praias, o oceano, a brisa leve do fim do dia e o ardente nascer do sol – está tudo lá, disfarçando de guitarra, piano e orquestra.

Uma viagem em ondas de calor.

FAVORITAS: Triste; Lamento


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