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Crónicas para dormir (XV):
Minhocas à luz do candeeiro.


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Pó nos vislumbres de luz de um candeeiro. Pequenas minhocas que, por imitação, dançam no calor, no tumulto do movimento.

O sol, lá em cima, ao longe, brilha (mesmo de noite) e, talvez, sabe-se lá, talvez nos observe:
O candeeiro, que ilumina; as minhocas, que dançam; e eu, que as vejo.

Pensará ele nas minhocas – como eu que por vezes penso nas células, nas mitocôndrias, nos cromossomas – ou ignora-as por completo – como eu, sempre como eu, que não penso no que não sei?
O que serão para ele; consequências?


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Se amanhã provassem que o mundo é pré-determinado; que tudo o que nele existe, é como é e não podia ser de qualquer outro modo; que as árvores que caem, os incêndios que se acendem, os homens que morrem e nascem, dão-se por ser simplesmente o único caminho que existe, independente de nós;

Se amanhã provassem o determinismo, o que seria da justiça?
Dos homens condenados no passado?

Afinal, até os criminosos – os seus crimes – não mais seriam do que inevitabilidades.
Quem matou, matou porque assim teria de ser; assim como quem morreu, morreu por ser esse o único caminho.
Tudo de bom, assim como tudo de mau e tudo no misto, teriam o mesmo valor; no sentido de tudo ser ausente de escolha.

Uma acção é boa por inerência ou pela decisão de a tomar?
Condena-se um ser consequente do seu destino? Que rouba porque é roubar que tem de ser?


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Talvez este seja realmente o melhor mundo possível.
Talvez, considerando a generalidade do que existe, aqui e além, somadas e subtraídas as perdas de espécies e avanços científicos, talvez nenhum outro mundo possível fosse melhor.

Afinal, que egoísmo acharmos que o melhor mundo seria o melhor para nós.

Um terramoto? Incêndios? Doenças?
Um mundo ainda existe dos que morrem para os que nascem.
Um universo que se expande, talvez para lá da compreensão.
Um fluxo enérgico de vida.
Uma noite que nos faculta a imaginação das possibilidades.


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