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Liberdade é consciência.


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Em cima, um céu que se estende.
As cores são delicados pincéis; roxos desaguam nos negros, laranjas morrem com o sol, que morre por uma noite, nascerá amanhã.

Em frente, uma floresta que condensa um mundo inteiro em si.
Ramos que dançam, que se conectam nas danças, criando um único sentido, um único movimento, uma unidade de existência.

Por baixo, onde os meus pés se apoiam, uma rocha, castanha ou cinzenta, sedimentar, camadas sobrepostas.
A rocha termina num vertical precipício.
A rocha termina no fundo, a centenas de metros dos meus pés.

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Dou um passo.
É exigente, o passo, o corpo não o quer dar, não vê sentido nele; mas eu ordeno, e o corpo obedece.
Dou um passo e logo outro vem atrás. Quando dou por mim, estou no limite do precipício, a um passo de uma queda profunda.

(O que é isto, esta angústia?)

É um passo.
É tudo o que é a mais: um passo; e o meu corpo cairia, arrependido, num voar enganador que, apesar do vento, só mergulha, só desfalece, nunca plana, nunca se eleva à linha do horizonte.

Nada me impede.
Em absoluto, sou criador do passo que posso dar; sou criador de todos os passos – até os que já dei, até os que poderia ter dado.
Sou consciente; e, ao ser consciente, sou livre – angustiadamente livre. Livre para reconhecer a ausência de forças que me impediria de cair de um penhasco.

A angústia sou eu a distinguir-me, no aparato dos sentimentos, no teatro das emoções.
A liberdade é a consciência.


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