cxxvii

longitudes. (XI)


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I

Centenas de segundos que antecedem os meus movimentos;
Eu penso, só depois faço, e só o que merece ser feito.
Não é procrastinação (antes fosse), é inação ou inércia.

Sou indolente – propriedade de um organismo que se amedronta.
O meu sangue é fraco a percorrer o corpo que alimenta,
Tenho vertigens ao nível do solo e temo cair, sem gravidade.

Já perdi a conta às cadeiras em que bati,
Aos cães que deixei na berma da estrada,
Só para vê-los correr atrás de mim.

II

Foi em Setembro que desliguei o cabo; unia o não ao sim.
O mundo, agora, são parcelas de números, zeros e uns
que se confundem.

Unicidade é um retrato fiel de um sonho desfeito;
E eu pinto-me todos os dias;
E pinto novas cadeiras e novos cães.

Viver é brincar com as tintas.


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Uma projeção;
É de mim que se estendem os braços.
Quero escrever todas as palavras de que me lembro,
Antes de adormecer, antes do sono pesar
E de já não querer saber.

Uma projeção;
Esta pele que me reveste, revestiria qualquer outro.
É nas células e na replicação celular que vive, em definição,
A liberdade; o produto de um jogo de chances
Do que, para mim, é casualidade.

Eu não sou homem, não sou nenhum desses sujeitos.
Sou o modelo de um arquiteto que idealiza as dimensões;
As portas são minúsculas, as janelas enormes,
Deslumbra-se a visão nas paisagens infinitas;
Somente, etérea, uma projeção.


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