cxxxiii

longitudes. (XIII)


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Atrasei-me; já não tenho tempo para ser um trompetista.
Logo eu, que teria sido o melhor. O virtuoso.
Depois, num impulso, partiria o instrumento só para ouvir
Um novo som.

Mas atrasei-me; e já não serei um dançarino no Soleil.
E logo eu, que nasci com um pé esquerdo e um direito.
Agora, ambos são esquerdos, e não confio nos meus braços para abrigar
Um outro corpo.

Um outro corpo, um outro corpo, um outro corpo.

Como os dias que se intercalam com as noites,
As noites que se intercalam com os dias,
Agora, sou um movimento em sucessão.

Sigo-me pelas pegadas que deixo, as mesmas que deixarei ao passar.
Estou atrás, um passo atrás do meu passo; vejo-o e agora é meu,
Como é minha a mão que ergo e todas as que se erguem também.

É um aceno ao infinito.
É um adeus, um adeus, um adeus.

A mão que ergui, estendo-a agora (todos a estendem).
O espaço é a distância entre dois corpos, dois corpos que se querem conhecer.
E cada som que aqui navega, cada sombra que vislumbro;

São ecos, são contornos.
São adeus, adeus, adeus.


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