cxxxiv

longitudes. (XIV)


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Sinto-me a carregar um corpo; só as montanhas compreendem
Que o peso não anula a vida, essa floresce em redor.
Antes não fosse.

Um dia, ainda descubro se as raízes que aprofundam
Para dentro de mim, se me tomam como parte delas
Ou só substrato.

A diferença não se explica; é inata no íntimo
De quem a sente – a vida como relevo, enfeite, escultura;
Um violento ricochete.


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Dependo de pouco para sobreviver: comida e água.
O exercício só me prolonga e a caneta, nos dias bons,
É um desentupidor.

Mas perco o centro, facilmente, não fosse o mundo uma grande tela,
E recorro à tinta como filtrador, para designar, representar, simbolizar
A palavra certa.

Definir é uma demanda infértil; e cada palavra vê-se a partir
E vê-se a chegar como um novo termo, um termo que, no silêncio,
Nunca existiu em mim.

Não serei escritor, poeta, ou humano sequer,
Até que uma palavra minha, mesmo das mais ínfimas,
estenda-se de mim como é.

Até lá, serei o que inquieta uma noite calma;
O som do silêncio por preencher;
A sílaba omissa que alguém se esqueceu, na pressa de acabar de escrever.


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