clxix

longitudes. (XVIII)


I

Detenho-me perante o anoitecer e temo-o só.
Sou tão pequeno que podia não saber que a lua existe
Como as formigas não sabem de mim.
As proporções são erradas mas fica a ideia de que eu,
Ostracizado num complexo conflito de egos,
Sou pequeno.

Sou tão pequeno; sempre fui pequeno.
O palmo que me falta dei-o à terra para que o comesse.
É a minha oferta de paz, a minha oferenda; um sacrifício para me abster
Da culpa e viver os dias sem crer que sou parte
Do problema, do vírus que se perpetua
Em mim.

Nos que, como eu, amam uma quimera e navegam nos remorsos;
Sabem, como eu, que o mais belo universo não tem consciência
De si.

O mais belo universo é o que se esquece. A vida que dá –
Esse absurdo absurdo que se afoga no desespero de se entender –
Dá-a de bom grado por não a ter.

Afinal, a lua nunca saberá de mim,
A formiga só saberá de si,
Somente eu – amputado – saberei sempre de nós.


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II

Suspiro porque o ar quer sair e eu,
Destemido mas não assim tanto,
Obedeço-lhe.

Onde nascem estes ventos internos?
O ar que entra num inspirar,
Juraria que não é o mesmo que sai.

Mas e daí? Já jurei tanto mais.
Ainda ontem convenci-me a ser melhor.
Hoje volto aos velhos hábitos.

Eu não aprendo, só me adestro e em
Breves tempos. Que mal há em ser fraco,
Em entregar-me às tentações?

Nenhum. Veem?
Mais uma vez, aqui estou; neste universo compacto
Onde respondo às minhas próprias perguntas.


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