vii

São os chilreares que se contentam com a aparente omnipresença;São os arrastares dos motores velhos com a pressa de nunca chegar;São os passos que cansam, os ladrares que anunciam, o verdume que cresce, as meias-idades nos rostos das crianças;São os insectos que já não vêm como dantes, e os miúdos que já não sabem brincar;SãoContinue a ler “vii”

vi

Noite. Este ar gélido, que surge da ausência, alenta-me os sentidos. Não sei quem governa os dias, mas quando a carruagem se desvanece, ao longe, e o Hélio descansa da extenuante viagem, os ventos já não são os mesmos. Queima-me o frio, como o sol nunca queimou. Queima-me no inverso: de dentro para fora, doContinue a ler “vi”

iii

O som da torneira, ainda aberta, concentrou-me na realidade. Observei-a – a água – aguardando que me limpasse os pensamentos. Encontrei algo intrigante naquele pilar uniforme e ininterrupto de água: uma imagem parada daquele pilar, ou a realidade do sistema dinâmico que é – onde a água que aterra no lavatório de falsa cortiça equilibra-seContinue a ler “iii”

i

Deitado de olhos abertos, na solidão do silêncio, encaro a escuridão de frente, como um eterno arqui-inimigo, o canto de onde surgem os demónios. O conceito de inesperado atormenta-me desde cedo, pelo que, a escuridão – com as suas características místicas, com a sua capacidade de esconder qualquer forma, qualquer cor – sempre me aterrorizou.Continue a ler “i”