iv

Toco-te. Talvez essa seja a mais estranha das coisas.

Por vezes olho-te, mas não sei se te vejo; interpreto a tua imagem, o que surge nas idas e voltas dos olhos para o cérebro e do cérebro para os olhos, na fronteira do real e do fantástico, do sano e do insano.
Por vezes ouço-te, mas não sei se te escuto; entre nós, a distância que nos separa, esta neblina tensa que corrói e lustra, quebra e refaz, incinera e aleita, nada mais é do que o contraste das nossas definições.
Por vezes provo-te, farejo-te, mas não sei; não sei quem és tu, por entre os sabores e odores, se é que és alguma dessas garotas insignificâncias; não sei quem tu és, por entre os odores e sabores, onde terminam os teus e começam o de tudo o resto que nos envolve, que nos perfaz e nos penetra.

Quando te toco, na penumbra dos dias, na violência dos contrastes; Quando sinto a tua frágil pele, a multiplicação da mais ínfima das coisas vivas; Quando as janelas fecham, o dia termina, as pequenas raivas e desamores perdem a tirania que as define, e te estendes a mim, ou te contrais comigo – só aí te toco, sem tocar em mim.



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