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“A morte é só isso, essa ausência. E essa ausência não pode ser dita, não pode ser descrita. Só pelos outros.”

Eduardo lourenço
  • Os pais podem morrer.”

Esta frase – e as suas iterações – são, para muitos, a primeira roupa que a morte veste, quando se apresenta.

Talvez seja a avó. Talvez o Snoopy, atrás de uma cadela jeitosa, indiferente aos limites do passeio e ao começo da estrada.
Não importa por onde ou por quem surge; vem sempre – é a certeza máxima.

A ausência é, talvez, a sua qualidade mais singular; a que a torna tão dolorosa de introduzir num cérebro prematuro.
O desgaste tem sentido; As repercussões têm sentido; A dor tem sentido; A raiva tem sentido.

A ausência não – é onde o sentido termina.

  • Para onde vão as pessoas que morrem?”

Soubesse o miúdo que frases assim são berçários de guerras; que segregam e matam como cancro.
E, ainda assim, ele pergunta com uma inocência; como se o mundo fosse jovem – uma incógnita ainda – e em 351 dias não tivessem morrido 56,470,485-tick-86-tock-87-tick-88 pessoas.

  • O que é uma pandemia?”

Em 2020, o planeta apresentou-se com um “Olá, isto é tudo finito.” que cresceu de um tímido entredentes, para um urro premonitório.
O que a história nos conta, ao longo de décadas, este ano mostrou-nos num batimento.

A ausência só poupa os que se ausentam primeiro. De resto, afecta tudo o que existe – até o que não vê, o que não respira, o que não vive.



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